AMAR & SER AMADO: eis a questão
Não concordo com essa história de que para se alcançar a felicidade plena, todas as pessoas, necessariamente tem a obrigação de estarem acompanhadas.
Preciso confidenciar que acho uma grande besteira esse dito popular, de que pra se estar “completo”, feliz de verdade, tem que encontrar sua “alma gêmea”! E depois, ainda seguir ao pé da letra, a célebre receita: viveram felizes para sempre. Assim dizia sua avó, não é mesmo?! Rs...
Tenho muitos(as) amigos(as) que são felizes levando suas vidas, de certo modo, solitárias. Não dão conta de repartirem seu dia-a-dia, com alguém. Desejam continuarem sós. E no máximo, terem casos furtivos. O que respeito, e muito.
Mas confesso que não é o meu caso, e talvez não seja o seu. Porém, também acredito que tudo tem sua “horinha certa”: há momentos sim, que devemos guardar pra nós mesmos, exclusivamente. E há momentos em que uma vida a dois também tem as suas delícias.
Lembrando a célebre letra de Roberto e Erasmo, na canção “Costumes”: (...) não pensei que me fizessem falta umas poucas palavras, destas coisas simples que dizemos antes de dormir; de manhã um bom dia na cama, a conversa informal; o beijo, e depois o café, o cigarro e o jornal... . Pois é. Eles estavam, estão e estarão certíssimos! Ao menos, pra mim. E acredito que pra um grande número de pessoas.
Mas também precisamos concordar que 24h por dia, de vida a dois, seria um enorme tédio. Vamos combinar?! Sufocante. E por isso, um viva ao mundo moderno, e às pessoas com vida própria, com planos, etc. Que apesar de se amarem, e de decidirem repartir suas vidas, também mantém as suas individualidades. Não se anulam. Não deixam de ter existência própria em prol do outro.
Apesar de ser incontestável a grande verdade de que para estabelecer-se uma relação real, profunda, concessões sempre são necessárias. Vamos admitir!
Mas que se saliente: o sadio é que elas se dêem, por ambas as partes.
É mais ou menos quando um dos amantes que detesta filmes europeus, ou teatro, por exemplo, e aceita se submeter a uma sessão, simplesmente pra fazer companhia ao outro. E (ao menos) finge-se interessado.
Ou então, quando um dos “enamorados” que odeia, sei lá, vôlei, etc., aceita também acompanhar seu ser amado, abrindo mão de seu egoísmo em troca dos momentos passados juntos. E o pior (ou melhor) ainda, é que acaba torcendo juntinho. Vibrando pelo time, em cada saque.
A coisa acaba tornando-se prazerosa, pelo simples fato de se estar com quem se ama. Com quem se deseja. Mas enfim, ponderação e equilíbrio sempre são muito bem-vindos. E ninguém precisa também torturar-se exaustivamente sempre, só pra ver o outro lado feliz. Principalmente, se não há contrapartidas. Isso não é um bom sinal, pelo que a experiência nos mostra.
Está certo que há pessoas que se realizam justamente com o desprezo alheio: quando amam e não são correspondidas à mesma altura. Outras ainda, se sentem mesmo felizes somente em serem amadas.
De todo modo, exceções à parte, pra mim (e pelo que percebo) pra grande maioria de nós, o caminho é outro. A opção é por uma busca um pouco mais difícil de ser alcançada.
Amar & ser amado: eis o ideal.
Afinal, “um bom encontro, é de dois.”