domingo, 24 de fevereiro de 2013



Estava em minha mesa de estudos, rodeado pelo direito e pelas leis naquele dia, quando fui abruptamente surpreendido por um quadro inesperado.

Um pé de cajamanga meio presunçoso, vira pra uma frondosa mangueira do quintal e começa a debochar:
- Coitada de você! Não tem espinhos, proteção alguma: mal gera seus frutos e já se torna uma vítima.
Catam seus frutos e deixam você nua! Kkkkkk.....
Também, com esses frutos tão doces que você produz!
Se ainda fizesse como eu, que me encho de espinhos. E trato logo de colocar uma pitada de “azedume” em meus frutos.
Assim só uns poucos corajosos, “metidos à besta”, mexem comigo.
Você é uma boba! Kkkkkk.....

A mangueira, silenciosa, introspectiva, espera o cajamanga desembuchar suas convicções, e sabiamente o retruca:
- Meu caro, pelo visto você ainda não aprendeu nada nessa vida, né?
Não entendeu que tudo é um ciclo.
Realmente eu não tenho espinhos. Meus galhos facilitam a colheita dos meus frutos, que são sim, muito aprazíveis. Apetitosos. Sacio a fome de muitos, de fato.
Mas os frutos guardam dentro de si as minhas sementes. Muito bem protegidas por sinal.
E por onde os “apreciadores” de minhas mangas passam, deixam pra trás “os caroços”: as minhas filhinhas-sementes.

E você cajamanga, que se acha muito esperto, com todas as suas proteções, com seus espinhos, e coisa e tal, já percebeu quantas mangueiras existem nesse mundo?

E cajamangas? Alguém aí já ouviu falar?

Gentileza gera gentileza.

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